O grande problema nao e terminar, separar. Todos estamos acostumados com isso. O dificil e nao ter aquele sorriso de manha, aquele olhar de lado quando ela pensa que voce esta distraido. Papos bestas embaixo das cobertas, o cafe da manha de ressaca na padaria.
Quando conhecemos alguem intimamente - ou achamos que conhecemos, que da na mesma - toda aquela experiencia acaba fazendo parte de voce. Aquela pessoa acaba fazendo parte da sua historia de maneira indelevel. Podem ser anos, semanas ou uma noite, nao importa muito, mas aquela lembranca acaba impregnada em voce e saber que voce nao tera novas lembrancas doi demais.
Cada separacao e uma pequena morte e, como a propria, atinge diferentemente cada um de nos. Uns fingem que nao e nada, e assim mesmo e bola pra frente. Em outros, ela atinge como um tapa na cara ou areia nos olhos.
Separacoes, contudo, fazem parte da vida como o dia e a noite. Seria impraticavel viver sem deixarmos algumas coisas para tras durante o caminho, a bagagem ficaria pesada demais. Mas nunca e facil.
E nao esta ficando mais facil com os anos.
"...todas as atrações que uma versão prudente, mas versátil, desse misto de surpresa e fugacidade que normalmente se chama vida..."
segunda-feira, 11 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Em breve, em um cinema dentro de você
Gostava de enxergar sua vida como esse épico pessoal. Não entendia porque um cachorro dormindo ao sol, numa estrada empoeirada, era algo bonito de se ver e alguém tomando um café de manhã na padaria não era. Gostava de prestar atenção nas pequenas belezas do cotidiano, na tal da poesia do dia a dia. Passava os dias absorto, observando tudo o que acontecia ao seu redor, procurando sempre o melhor enquadramento em seus olhos para o que estava diante de si. Caprichava nas panorâmicas e nos closes, eram suas especialidades. Estava sempre filmando, tinha milhares e milhares de horas de video no arquivo de suas lembranças. Nunca se sabe quando elas seriam necessárias quando o filme final estivesse sendo montado.
Mas gostava mais ainda era de dirigir e editar sua própria vida no videoteipe de sua memória. Era ali onde ele mandava e desmandava. As lembranças eram obrigadas a servir a seus caprichos e a aparecer da maneira que melhor lhe convinha. No estúdio de sua memória, novas cores eram lançadas sobre personagens apagados, a maquiagem era corrigida, a trilha sonora correta era inserida, pontuando os momentos de maior dramaticidade ou dando um alívio cômico quando necessário.
Era um diretor autoral, um Woody Allen ou um Bergman de sua própria existência. As protagonista eram invariavelmente as mulheres que passaram por seu set e a trama sempre rodava ao redor das interações entre essas femme fatales e o personagem que representava, que sempre mudava de acordo com o tipo de filme que gostaria de ter na videoteca de seu cérebro. Dramas, comédias românticas, suspense e até alguns documentários sobre algumas esquisitices já estavam catalogados por seção na sua Blockbuster particular.
Claro que os subplots tinham sua importância e os personagens secundários também tinham seus momentos de brilhar mas, ele próprio admitia, eram sempre elas quem tinham as melhores falas, figurinos, além do próprio trailer e camarim. Ele fazia questão de providenciar tudo: como na filmagem daquele clássico com aquela atriz loira, linda, linda, hipnotizantes olhos azuis - que ficavam mais lindos ainda em cena - que representava a moça do interior, politizada e brigando por seu lugar ao sol na selva de pedra. A diva queria tudo, de centenas de toalhas brancas a M&M's vermelhos. Ele entregou tudo isso sorrindo, além do próprio orgulho e vaidade, que nem estavam no contrato. Não se importou em dar um extra para agradar sua estrela do momento.
Detestava quando sua autocinebiografia era confrontada pela tal realidade cinza e chata. "Aquela cena do beijo tinha sido perfeita: o enquadramento, a luz estavam perfeitos, o cenário era bastante adequado, o crescendo emocional que resultou naquela tensão no clímax. Estava até tocando Marvin Gaye, cacete!!". E às vezes vinha a versão oficial: "Dois bêbados com tesão se agarrando na rua". Relutava em aceitar isso, era simples demais, bobo demais. Ele se considerava o Don Corleone, o William Wallace ou o Vincent Vega de seus dramas pessoais. E suas estrelas eram suas próprias Mias Wallaces, Celines ou Clementines Kruczynskis, com toda a profundidade, drama e conflitos que sua existência exigia.
Ele continua assim até hoje. Diz que está montando o cast de sua próxima produção, tem avaliado algumas atrizes e trabalhando mais no roteiro - ele acha que tem furos demais que se chocariam com seus trabalhos prévios.
É o que ele faz melhor: seus próprios filmes, para a exigente platéia de si mesmo.
Mas gostava mais ainda era de dirigir e editar sua própria vida no videoteipe de sua memória. Era ali onde ele mandava e desmandava. As lembranças eram obrigadas a servir a seus caprichos e a aparecer da maneira que melhor lhe convinha. No estúdio de sua memória, novas cores eram lançadas sobre personagens apagados, a maquiagem era corrigida, a trilha sonora correta era inserida, pontuando os momentos de maior dramaticidade ou dando um alívio cômico quando necessário.
Era um diretor autoral, um Woody Allen ou um Bergman de sua própria existência. As protagonista eram invariavelmente as mulheres que passaram por seu set e a trama sempre rodava ao redor das interações entre essas femme fatales e o personagem que representava, que sempre mudava de acordo com o tipo de filme que gostaria de ter na videoteca de seu cérebro. Dramas, comédias românticas, suspense e até alguns documentários sobre algumas esquisitices já estavam catalogados por seção na sua Blockbuster particular.
Claro que os subplots tinham sua importância e os personagens secundários também tinham seus momentos de brilhar mas, ele próprio admitia, eram sempre elas quem tinham as melhores falas, figurinos, além do próprio trailer e camarim. Ele fazia questão de providenciar tudo: como na filmagem daquele clássico com aquela atriz loira, linda, linda, hipnotizantes olhos azuis - que ficavam mais lindos ainda em cena - que representava a moça do interior, politizada e brigando por seu lugar ao sol na selva de pedra. A diva queria tudo, de centenas de toalhas brancas a M&M's vermelhos. Ele entregou tudo isso sorrindo, além do próprio orgulho e vaidade, que nem estavam no contrato. Não se importou em dar um extra para agradar sua estrela do momento.
Detestava quando sua autocinebiografia era confrontada pela tal realidade cinza e chata. "Aquela cena do beijo tinha sido perfeita: o enquadramento, a luz estavam perfeitos, o cenário era bastante adequado, o crescendo emocional que resultou naquela tensão no clímax. Estava até tocando Marvin Gaye, cacete!!". E às vezes vinha a versão oficial: "Dois bêbados com tesão se agarrando na rua". Relutava em aceitar isso, era simples demais, bobo demais. Ele se considerava o Don Corleone, o William Wallace ou o Vincent Vega de seus dramas pessoais. E suas estrelas eram suas próprias Mias Wallaces, Celines ou Clementines Kruczynskis, com toda a profundidade, drama e conflitos que sua existência exigia.
Ele continua assim até hoje. Diz que está montando o cast de sua próxima produção, tem avaliado algumas atrizes e trabalhando mais no roteiro - ele acha que tem furos demais que se chocariam com seus trabalhos prévios.
É o que ele faz melhor: seus próprios filmes, para a exigente platéia de si mesmo.
domingo, 26 de abril de 2009
I hope that I don't fall in love with you
Well I hope that I don't fall in love with you
'Cause falling in love just makes me blue,
Well the music plays and you display your heart for me to see,
I had a beer and now I hear you calling out for me
And I hope that I don't fall in love with you.
Well the room is crowded, people everywhere
And I wonder, should I offer you a chair?
Well if you sit down with this old clown, take that frown and break it,
Before the evening's gone away, I think that we could make it,
And I hope that I don't fall in love with you.
Well the night does funny things inside a man
These old tom-cat feelings you don't understand,
Well I turn around to look at you, you light a cigarette,
I wish I had the guts to bum one, but we've never met,
And I hope that I don't fall in love with you.
I can see that you are lonesome just like me,
And it being late, you'd like some some company,
Well I turn around to look at you, and you look back at me,
The guy you're with has up and split, the chair next to you's free,
And I hope that you don't fall in love with me.
Now it's closing time, the music's fading out
Last call for drinks, I'll have another stout.
Well I turn around to look at you, you're nowhere to be found,
I search the place for your lost face, guess I'll have another round
And I think that I just fell in love with you.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
Cada vez mais igual
Já me chamaram de inseguro, um defeito, e já escutei que me achava, e que isso não era bom.
Já disseram que o meu problema era que eu era muito profundo o tempo inteiro: "a vida tem que ser mais leve, cara".
Já ouvi também que eu deveria dar mais atenção para o que importava, que levar a vida na flauta não me daria futuro algum.
Muita brincadeira, Escobar!
Muito sério, Escobar.
Com algumas moças, me senti o Johnny Depp. Com outras, o Mr. Bean.
Com outras, fui o Woody Allen. Com outras ainda, o Rocco.
Já brinquei de conquistador à moda antiga, dos que mandam flores e bonbons e já brinquei de malandro, "deixa a moça se preocupar um pouco".
Já disseram que eu precisava perder peso e, dias depois, me disseram que eu estava muito magro.
Já fiz muito drama e já fiz muita comédia.
Já me importei muito demais com todo mundo: "pensa mais em você, querido", e outro dia, pasmo, escutei: "você gosta de alguém nessa vida?".
Já fui cabeludo e já raspei a cabeça.
Já estive contra e já estive a favor.
Já fui metódico e já fui caótico.
Já li revista VIP e já li Dostoievski.
Dalai Lama e Bukowski ao mesmo tempo.
Já fui no psicólogo, no enólogo, no teólogo e no astrólogo.
Engraçado. Quanto mais eu mudo, mais eu continuo o mesmo.
Já disseram que o meu problema era que eu era muito profundo o tempo inteiro: "a vida tem que ser mais leve, cara".
Já ouvi também que eu deveria dar mais atenção para o que importava, que levar a vida na flauta não me daria futuro algum.
Muita brincadeira, Escobar!
Muito sério, Escobar.
Com algumas moças, me senti o Johnny Depp. Com outras, o Mr. Bean.
Com outras, fui o Woody Allen. Com outras ainda, o Rocco.
Já brinquei de conquistador à moda antiga, dos que mandam flores e bonbons e já brinquei de malandro, "deixa a moça se preocupar um pouco".
Já disseram que eu precisava perder peso e, dias depois, me disseram que eu estava muito magro.
Já fiz muito drama e já fiz muita comédia.
Já me importei muito demais com todo mundo: "pensa mais em você, querido", e outro dia, pasmo, escutei: "você gosta de alguém nessa vida?".
Já fui cabeludo e já raspei a cabeça.
Já estive contra e já estive a favor.
Já fui metódico e já fui caótico.
Já li revista VIP e já li Dostoievski.
Dalai Lama e Bukowski ao mesmo tempo.
Já fui no psicólogo, no enólogo, no teólogo e no astrólogo.
Engraçado. Quanto mais eu mudo, mais eu continuo o mesmo.
quarta-feira, 4 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
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